Mosteiro de Salzedas

A imponência do mosteiro surpreende-nos no meio do casario do pequeno burgo que se formou em seu redor. A igreja, de grandes dimensões, apresenta uma fachada setecentista, encontrando-se as torres laterais inacabadas devido à interrupção dos trabalhos aquando das invasões napoleónicas.

O templo medieval sagrado, em 1225, possuía planta em cruz com três naves, um transceto saliente e aspecto excecional, tinha cinco capelas absidiais escalonadas. A mais pequena, do lado norte, ainda se conserva integralmente na sua silharia regular, possuindo planta semicircular e colunas adossadas pelo exterior. O absidíolo simétrico é visível ao nível das primeiras fiadas, sobre a escada de acesso aos dormitórios.

As reformas dos séculos XVI, XVII e XVIII, destruíram a abside e absidíolos centrais e transformaram a igreja. Felizmente, as pilastras dos arcos das naves foram montadas no interior da estrutura primitiva e atualmente, depois de retirados os revestimentos, é possível observar em toda a sua primitiva dimensão, as abóbadas, as colunas, os capitéis singelamente decorados e os arcos quebrados primitivos. A capela-mor possui um cadeiral de pau-santo, da segunda metade do século. XVIII.

Aos pés da igreja, inseridas nas paredes laterais, encontram-se várias pedras tumulares com epígrafes do século XV, destacando-se as do 1º Conde de Marialva, D. Vasco Coutinho, e sua mulher. A sacristia, coberta por abóbada de aresta assente em duas pilastras, conserva o mobiliário do século XVIII e alguns quadros alusivos da vida de S. Bernardo.

A parte monástica regular desenvolve-se do lado sul num sábio aproveitamento do espaço, em articulação com o rio Torno que nesse flanco percorre o interior da cerca monástica.
Os dormitórios, as alas da hospedaria, o refeitório, a celeiro, a farmácia e o grande jardim desapareceram depois da extinção do mosteiro.

Restam dois claustros. O maior desenvolve-se ao longo da parede sul da igreja, no sitio do primitivo, possuía azulejos nas paredes e a sua traça segue um modelo clássico com arcos assentes em pilastras e galeria superior com janelas encimadas por frontões triangulares. Era o claustro regular, destacando-se a sala do Capítulo com azulejos nas paredes e teto em abóbada de aresta com o brasão de Cister no fecho. O claustro pequeno, a Oeste, encontra-se muito arruinado, restando pouco mais do que os arcos assentes em colunas toscanas. Sobre a porta de acesso à galeria superior, o brasão de Cister e a data de 1692.

No espaço da cerca, em plano elevado, com acesso por escadas e patamares, a capela do Desterro, de planta hexagonal, possui painéis de azulejos alusivos à fuga do Egipto.

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